Vocês estão no mundo, mas não são do mundo
Juventude

Vivemos em um tempo em que a tecnologia avança numa velocidade impressionante. A inteligência artificial, as redes sociais e a conectividade constante moldam a forma como nos relacionamos com o irmão, aprendemos, vivemos nossa fé e até como compreendemos a nós mesmos. Neste cenário, o chamado “Vocês estão no mundo, mas não são do mundo” (Jo 17,14) ganha novo significado: viver a fé cristã no coração da modernidade, sem perder a essência do Evangelho de Jesus.

Os desafios da era digital

O ambiente digital oferece inúmeras possibilidades, mas também apresenta armadilhas sutis. Somos cercados, a todo instante, por informações, opiniões e modelos de sucesso que nem sempre refletem os valores cristãos. A busca por curtidas, seguidores e aprovação é um exemplo do que pode nos afastar da autenticidade, levando à comparação constante e à superficialidade nas relações, seja conosco mesmos, seja com o mundo.

Além disso, a rapidez com que as notícias e os conteúdos circulam pode gerar desinformação e ansiedade. Em meio a tantas vozes e estímulos, discernir o que é verdadeiro, bom e edificante tornou-se um desafio e, para além de tudo, um exercício espiritual. A tecnologia torna-se não só uma ferramenta para a catequização, mas, quando usada sem consciência, um muro que nos separa do silêncio necessário para ouvir a voz de Deus.

As oportunidades de uma fé conectada

Por outro lado, a era digital também é um campo fértil para o testemunho e a evangelização. Plataformas online se transformaram em espaços de encontro, partilha e aprendizado. Jovens de diferentes partes do mundo podem se unir para rezar, estudar a Palavra e promover causas solidárias. O Evangelho encontra, no meio digital, um novo púlpito, onde cada um pode espalhar a Palavra de Deus pelos quatro cantos do mundo.

A inteligência artificial e as novas ferramentas tecnológicas podem servir à fé e ao conhecimento por meio de aplicativos de oração, cursos bíblicos online e comunidades virtuais de fé, tornando-se exemplos de como a tecnologia pode aproximar o ser humano de Deus. O segredo está no uso responsável e intencional desses meios, fazer com que a tecnologia nos sirva, e não o contrário.

Para os jovens que vivem à luz do Carisma Scalabriniano, o meio digital se torna um grande aliado na escuta, no entendimento e no acolhimento dos irmãos, especialmente os migrantes. As informações que circulam pelos diferentes canais de comunicação do mundo inteiro trazem a oportunidade de uma aproximação com as culturas e identidades, acolhendo suas fragilidades e olhando com generosidade para suas potencialidades. Os grandes fluxos migratórios contam com o cuidado, o conhecimento e a ação de comunidades empenhadas em acolhê-los e, a partir daí, oferecer-lhes um ponto de apoio e esperança nas jornadas que empreendem.

Conhecer uma cultura é o primeiro passo para acolhê-la e, para isso, a era digital tem se tornado uma ferramenta facilitadora.

Além disso, a rapidez com que as notícias e os conteúdos circulam pode gerar desinformação e ansiedade. Em meio a tantas vozes e estímulos, discernir o que é verdadeiro, bom e edificante tornou-se um desafio e, para além de tudo, um exercício espiritual. A tecnologia torna-se não só uma ferramenta para a catequização, mas, quando usada sem consciência, um muro que nos separa do silêncio necessário para ouvir a voz de Deus.

En medio de la era de la hiperconectividad, la oración y el compartir siguen siendo las formas más auténticas de conexión con Dios y con el prójimo.

Em meio à era da hiperconectividade, a oração e a partilha continuam sendo as formas mais autênticas
de conexão com Deus e com o próximo

Discernimento e autenticidade: viver no mundo sem se perder nele

“Estar no mundo” significa participar da realidade, envolver-se, contribuir. Mas “não ser do mundo” é manter o coração enraizado em Deus, discernindo o que nos aproxima e o que nos afasta d’Ele. O jovem cristão é chamado a viver com coerência e liberdade interior, sem se deixar moldar pelos padrões do consumo, da aparência ou da performance digital.

Isso exige discernimento, ou seja, saber escolher o que edifica e deixar de lado o que dispersa. Exige também autenticidade: viver a fé com alegria e coragem, mesmo quando isso vai contra a corrente.

Ser um jovem cristão na era digital é ter a coragem de ser e fazer diferente. Usar as oportunidades para se conectar com os irmãos, praticar o bem, acolher e ser portador da voz da esperança, para assim iluminar o mundo com o amor de Cristo.

Los jóvenes cristianos redescubren el sentido de la fe en el entorno digital, transformando las redes en espacios de comunión y evangelización

Os jovens cristãos redescobrem o sentido da fé no ambiente digital,
transformando as redes em espaços de comunhão e evangelização

Conectados a Deus e ao próximo

O chamado de Jesus continua ecoando: estamos no mundo, mas não somos dele.
A tecnologia, quando usada com sabedoria, torna-se uma ponte de conexão e esperança, aproximando-nos de Deus e dos nossos irmãos. O desafio está em utilizarmos esse recurso (as plataformas digitais) para fazer desse caminho algo cada vez mais integrado e solidário, onde promover o bem e espalhar a esperança sejam a expressão concreta do testemunho do Evangelho de Jesus Cristo.

Por isso, enquanto jovens cristãos scalabrinianos, somos convidados à grande e importante missão de permanecer conectados à fonte verdadeira da vida: Cristo. E, mais do que estar conectados à internet, transformar o mundo digital em um espaço de fé, amor e comunhão.

Aline Redante e Henrique V. Pittol

Fotos: Arquivo Regional – RNSMM

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