Entre fronteiras e encontros
Missionárias Seculares Scalabrinianas

Acredito que compartilhar minha experiência no projeto MEX seja um verdadeiro desafio, que exige tempo e profunda reflexão, tanto antes de partir quanto, principalmente, ao retornar. Quando me inscrevi no MEX, jamais imaginei que ele se tornaria uma parte tão importante de quem eu sou hoje.

Michela, minha companheira na missão, e eu partimos sem expectativas, pois, ao nos inscrevermos no projeto, já havíamos compartilhado nossos pensamentos e medos com a equipe de preparação, que os levou a sério e nos designou para essa missão. Durante o mês em que passamos na Cidade do México, fomos acolhidas por Luisa, Nuccia, Giuliana e Claudia, Missionárias Seculares Scalabrinianas. Graças a elas, tivemos a oportunidade de compreender a realidade dos migrantes na Cidade do México, uma realidade complexa, mas composta por pessoas que rapidamente se tornaram parte de nossa vida cotidiana.

Durante as semanas que passamos visitando as Casas de Migrantes em Iztapalapa, criamos laços difíceis de esquecer. Os relacionamentos que construímos com as pessoas transcendem qualquer barreira ou obstáculo; cada uma delas deixou uma marca indelével em nós, particularmente a consciência de que a missão enriquece e ajuda muito mais aqueles que a realizam do que aqueles que a recebem. De fato, jamais imaginei que me sentiria tão viva depois dessa experiência, pois voltamos para casa enriquecidas com novos aprendizados.

Da esquerda para a direita: as voluntárias Michela e Greta chegando à comunidade das Missionárias Seculares Scalabrinianas no México

Conhecer a realidade dos migrantes permite-nos explorar uma parte pouco conhecida e muitas vezes negligenciada do mundo. O fluxo migratório da América Latina está repleto de incógnitas e momentos difíceis que cada migrante é obrigado a enfrentar, sozinho ou com a família, trazendo consigo diferentes histórias e experiências. Muitos deles partilharam suas histórias conosco, fazendo-nos sentir parte de uma grande comunidade, apesar da barreira linguística, que, a princípio, pareceu um desafio, mas que mais tarde se tornou uma oportunidade para descobrir a linguagem do amor e da família.

Ao longo deste mês, Michela e eu procuramos deixar algo concreto e útil para as pessoas que conhecemos. Ministramos aulas de inglês a jovens e organizamos atividades e oficinas com crianças, que responderam com grande entusiasmo. Buscamos construir relacionamentos entre elas, apesar da situação de transição. O tempo de permanência dos migrantes nas Casas não é o mesmo para todos. Alguns optam por viver ali por um período antes de decidirem ficar no México, enquanto outros aguardam o retorno ao seu país de origem em voos humanitários, que, no entanto, não operam em horários fixos. De fato, semanas ou até meses podem se passar antes que um voo seja designado.

No fim, percebemos que os melhores momentos eram os mais simples, aqueles que não exigiam organização precisa. Bastava estar com eles, conversar, tentar fazê-los sentir-se escutados e compreendidos. Durante a última semana, tentamos ficar com os migrantes o máximo possível, para aproveitar ao máximo os poucos dias que nos restavam. Dizer adeus àqueles que nos acolheram durante um mês inteiro foi, de fato, a parte mais difícil, e ainda me dói lembrar disso hoje. Muitas vezes paro para pensar no que as pessoas que conhecemos estão fazendo agora; fico imaginando onde estão e como estão.

Descobri o valor dos gestos mais simples e o encanto das tradições latino-americanas, vivenciando-as em primeira mão. Entre sorrisos compartilhados e momentos de vulnerabilidade, este mês me deixou emoções inesquecíveis e a certeza de que vivenciar essas sensações nos leva a ver o mundo de forma diferente e nos impulsiona a sempre querer fazer algo mais, mesmo que seja em pequena escala.

Greta Catalano

Fotos: Missionárias Seculares Scalabrinianas

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