Onde houver um, haverá vocações
Vocação

É necessário confiar: onde houver um, haverá vocação. O Dono da Messe continua chamando. As vocações existem. Vivemos um tempo de santos jovens — é preciso descobri-los.

Convenhamos que existem contextos diversos que tendem a amedrontar as pessoas a dar passos significativos em todos os âmbitos da vida, inclusive no campo vocacional.

Muitas vezes escutamos afirmações negativas como: “vivemos em tempos de crise vocacional”, “não temos mais vocações para a Vida Consagrada”, “os jovens já não querem responder ao chamado de Deus”, “os pais não querem que seus filhos sejam consagrados”, “a Igreja precisa rever a questão celibatária”, entre outras.

Na verdade, tais afirmações tornam-se frequentemente falácias usadas para esconder um comodismo que revela o desinteresse pelas vocações sacerdotais e religiosas. Elas refletem, antes de tudo, uma realidade de não comprometimento com a promoção vocacional.

O peso dessa negatividade muitas vezes nos impede de dar crédito àquele vocacionado que poderíamos incluir em um processo de acompanhamento e discernimento. É necessário ajudar a desvelar vocações escondidas. Sabemos que é Deus quem chama; por isso, é preciso dar o passo da fé por quem ainda não sabe caminhar.

Quem já descobriu e vive o chamado de Deus (pais, amigos, catequistas, equipes vocacionais, religiosos ou sacerdotes) pode e deve ajudar aquele que ainda permanece na sombra da dúvida vocacional.

A questão principal, portanto, é esta: como estamos descobrindo as vocações que permanecem escondidas nas frestas de nossos rincões de atuação missionária? Em toda a Região Nossa Senhora Mãe dos Migrantes (RNSMM), nos sete países onde estamos presentes, desde as casas de acolhida até as comunidades de religiosos idosos, existe sempre a possibilidade de encontrar um vocacionado.

Seminaristas no Centro Vocacional Scalabriniano, em Cidade do Leste, Paraguai, juntos aos Missionários Scalabrinianos responsáveis pela promoção e animação vocacional.

Diante disso, surgem algumas perguntas importantes:

  • Como estamos cultivando aquele “um” que descobrimos ter vocação?
  • Como acompanhamos nossos grupos de coroinhas, acólitos, catequese e juventude?
  • Quanto rezamos pelas vocações?
  • Quanto acreditamos no chamado de Deus, mesmo em meio às adversidades dos contextos atuais?

Todos somos chamados a ser agentes vocacionais. O seminarista, o religioso, o catequista, cada líder de comunidade e as famílias são animadores vocacionais.

Podemos ampliar essa reflexão para encontrar caminhos que respondam positivamente à necessidade de despertar o cuidado pelas vocações que estão entre nós, mas que muitas vezes não percebemos.

Antes de ingressarem nos seminários da Congregação, os vocacionados realizam um período de acompanhamento com os formadores.

Nesse sentido, seguem algumas indicações recolhidas do Projeto Missionário Scalabriniano 2025-2030, implantado na Região Nossa Senhora Mãe dos Migrantes, que podem nos ajudar a fortalecer a animação vocacional.

  • Realizar jornadas vocacionais em nossas missões;
  • Promover o Ano Vocacional Scalabriniano, que começa no dia 26 de abril de 2026 e se estende até o Domingo do Bom Pastor do ano seguinte;
  • Formar equipes locais de animação vocacional com o apoio dos animadores vocacionais, dos párocos e das lideranças leigas;
  • Participar das missões promovidas em vista das ordenações; oferecer espaços nas missões para encontros e jornadas de jovens;
  • Acompanhar a catequese com propostas vocacionais;
  • Garantir que, em nossas missões scalabrinianas, os jovens possam fazer uma verdadeira experiência do carisma.

Assim, além de fortalecer e assumir o compromisso com a animação vocacional, estaremos também promovendo uma autêntica cultura vocacional e consolidando o acompanhamento da juventude em cada âmbito e setor da missão scalabriniana.

Para concluir, recordamos uma afirmação do Superior Regional, Padre Alexandre De Nardo Biolchi, CS, em entrevista à Rádio Cultura, em Campos Novos, Rio Grande do Sul, Brasil. De acordo com ele, estamos vivendo um florescimento das vocações e, graças ao intenso trabalho vocacional dos últimos anos, a Congregação tem registrado um aumento significativo nas vocações ao sacerdócio.

Essa realidade é perceptível e comprovável: basta observar o número crescente de jovens que ingressaram no seminário neste ano. Por isso, somos profundamente agradecidos.

Essa realidade nos mostra que as vocações surgem muitas vezes onde menos esperamos. É preciso confiar: onde houver um, haverá vocações. Essa certeza nos ajuda a compreender a dinâmica do Reino de Jesus, que não procurou os melhores segundo os critérios da sociedade de seu tempo, mas transformou aqueles que o Pai lhe confiou como discípulos.

Por isso, somemos esforços à missão dos Animadores Vocacionais e apresentemos mais um jovem vocacionado para o caminho de acompanhamento, discernimento e formação scalabriniana.

Pe. Camilo Moreira Maforte, CS

Fotos: Arquivo Regional da RNSMM

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